Ocupação Criança

Para quem acredita no potencial infantil

By: Avisa Lá | June 01, 2017

 

Instituição:

EMEI Chácara Sonho Azul

Responsável

Antonio Norberto Martins

Cargo

Diretor de Escola

Município

São Paulo (SP)

Faixa Etária Atendida

Quatro a cinco anos

Categoria

Formando para a Mudança

 

O que levou a realização da prática? (diagnóstico)

Mudanças não acontecem da noite para o dia. Assumi a direção da escola em 2006; quando cheguei verifiquei que tinham práticas muito boas e outras que necessitavam de mudanças. Por outro lado, eu também precisava conhecer melhor a realidade da educação infantil, pois a minha experiência anterior estava associada ao ensino fundamental, médio e universitário. Dessa forma, o primeiro ano na escola foi de aprendizado e observação. De forma geral, apresento alguns aspectos que desencadearam e constituíram o Brincadarte:
  • A brincadeira era algo contida, resultado do enfoque disciplinador que ocorria nas salas e influenciada pelo ensino fundamental.
  • A gestão da escola era focada no administrativo. 
Esse contexto me levou a um trabalho com o grupo: Discussões que possibilitaram um trabalho coletivo e o hábito de compartilhar as experiências. Comprometidos todos com formações na escola, focadas nos conceitos do Brincar e na História da arte. Essas ações promoveram as primeiras mudanças e a necessidade de continuidade das reflexões sobre a infância e a educação infantil. Os Referenciais da Educação Infantil da Prefeitura Municipal de São Paulo, o projeto de formação Rede em Rede da PMSP também são referências que apoiaram esse projeto.

Intervenções Realizadas

Em relação às intervenções e ações, o Brincadarte faz parte da continuidade de um projeto de formação de professores. Começamos investindo na formação local, compreendendo o que é o Brincar e depois os conceitos ligados à Arte. Dessa forma, as linguagens artísticas passaram a fazer parte da prática pedagógica. Paralelo a isso, passamos a trabalhar com o entendimento de “território educativo” o que possibilitou aos professores pensarem mais sobre a cultural local e os problemas da região. Essa ideia de “território educativo” levou à compreensão do papel da cidade em seu potencial educativo. Aos poucos, essas perspectivas teóricas orientaram as mudanças que foram introduzidas na EMEI, passo aqui a enumerá-las:

  1. No refeitório passamos a servir as refeições na mesa, introduzimos pratos de vidro, tigelas, saladeiras para que as crianças aprendam a compartilhar a comida e autonomia para se servir.
  2. Introdução de aulas-passeios: visita à feira, museus, parques e teatro. 
  3. Reuniões com os demais funcionários da escola para esclarecimento das propostas educativas e torná-los parceiros nas ações pedagógicas;
  4. Convite a formadores e artistas para discussões e apresentações na EMEI;
  5. Envolvimento nas questões locais e articulação com suas lideranças;
  6. Construção de um ateliê e uma horta em dois espaços ociosos, além de um parque sonoro a partir da utilização de sucatas. Esses instrumentos foram distribuídos por todo o espaço da escola que em conjunto com outras paredes, proporcionam experiências sonoras e exposição de trabalhos e fotos das atividades criando um ambiente educativo que extrapola a sala de aula (se é que podemos chamá-la assim na educação infantil).

Descrição dos saberes e fazeres infantis.

O Brincadarte é essa construção que está em desenvolvimento. Neste sentido, coloco a seguinte equação que resume o projeto: Brincar+Arte = Brincadarte. Os professores estudam e pensam ações que envolvam o Brincar e a Arte, como também ações simultâneas do Brincar e da Arte. Tem momentos que são propostas brincadeiras para as crianças, sendo que estas também têm liberdade para criar; outras vezes, são propostas atividades que necessitam da utilização das linguagens artísticas, nestas são sugeridos diferentes materiais e instrumentos; finalmente atividades que envolvem simultaneamente o Brincar e a Arte. Tudo isso acontece de forma planejada no coletivo sem que os professores ajam de forma uniforme.

Resultados da ação 

A criança sente-se bem no espaço educativo, desenvolve autonomia para ser protagonista. Para isso a escola tem que respeitar os Direitos das Crianças, percebê-las como sujeitos de Direito. Um deles é o Direito de Brincar, não tem como o Brincar não ser a principal atividade na Educação Infantil, constituindo-se assim num dos eixos do currículo. O Brincar mais a Arte possibilitam a emersão da criatividade, algo que é inerente à criança, e que é, muitas vezes, sufocado em nossa sociedade.

Category: Gestão 2 

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