Ocupação Criança

Para quem acredita no potencial infantil

By: Avisa Lá | June 01, 2017

 

Nome da Instituição:
EMEI Décio Trujillo

Responsável:
Jerusa Pereira de Jesus

Função ou cargo que ocupa:
Professor de Educação Infantil

Município e Estado:
Barueri - São Paulo

Faixa etária atendida:
Crianças de 05 anos

Categoria:
Passei a ouvir, observar e conhecer mais as crianças

 

O que levou a realização da prática? (diagnóstico) 

Decidi mudar minha prática de trabalho com as crianças, após participar de um curso sobre Documentação Pedagógica. 

Pensar essa criança como protagonista de suas ações, passando a escutá-la e a observá-la em suas produções e brincadeiras.


Ao invés de trazer propostas prontas resolvi pensar em situações em que as crianças tivessem a oportunidade de ser autônomas e coautoras de seus trabalhos por meio da experimentação, pesquisas, interações e explorações, assim tinha como foco de observação o processo e não apenas o produto.


Para que isso fosse possível, comecei a mudança da sala organizando os espaços com diferentes materiais (riscantes e papéis variados, tintas, colas, fitas, tecidos e materiais não estruturados). Assim, as crianças poderiam escolher os materiais e realizar seus trabalhos tanto na sala de aula quanto no quintal, que passou a sua extensão. 


No começo algumas crianças, ainda não acostumadas com essa prática, perguntavam se podiam usar o material, mas logo ganharam autonomia e passaram a construir objetos, fazer arte e projetar. Chegavam felizes e ansiosas para realizar seus projetos.


O Projeto Construções surgiu a partir da observação das ações, das interações, das ideias, dos diálogos entre as crianças. Um trabalho de escuta atenta possibilitou não apenas visualizar o que as crianças fazem, mas dar visibilidade às suas competências. 


Intervenções realizadas 

A disposição de materiais diversos, de fácil acesso para as crianças, e também a substituição dos brinquedos convencionais da sala por materiais não estruturados, instigou a capacidade de criação e imaginação das crianças. 


Com esses materiais elas passaram a criar e imaginar diferentes situações. Investigavam as diferentes possibilidades dos materiais e traziam à tona descobertas e narrativas bem interessantes.  


Passei a planejar situações e trazer para as crianças materiais diversos como: tecidos, elementos da natureza, papelão, tubos, canos, carretéis, para que elas fizessem seus projetos individuais ou em pequenos grupos.

Descrição dos saberes e fazeres infantis.

Durante as propostas de construção as crianças expressavam suas opiniões e pensamentos sobre o que construíam. Na maioria das vezes, organizavam-se em pequenos grupos para a realização de um projeto, compartilhavam seus saberes e vibravam quando encontravam soluções para resolver algum problema ou mesmo quando concluíam um trabalho.


Outro fator importante que identifiquei foi a diminuição de conflitos entre elas, pois os materiais pertenciam a todos e cada uma fazia dele o uso que a sua imaginação permitisse.  


Nesse trabalho as crianças exploraram vários conceitos como: equilíbrio, massa, estética, resolução de problemas. 


O jogo simbólico esteve presente em várias situações, como por exemplo, durante a construção com placas de papelão, Alexandre resolve montar uma mesa de frutas, e assim que a mesa ficou pronta, Maria Luiza sugeriu que ele colocasse frutas (tampas coloridas) sobre a mesa. Outras crianças se aproximaram e começaram a brincar com eles como se estivessem em uma feira cheia de clientes querendo escolher suas frutas. A brincadeira se estendeu até o quintal e durante alguns dias as crianças vendiam e compravam em suas bancas.

Extratos das falas das crianças

Júlia disse: “Quero fazer uma flor” Micaele e Nicoly disseram: Não, nós vamos fazer um shopping”!
Júlia logo muda de ideia e propõe: “ Vamos fazer uma arte!” 
O grupo concorda e Jady fala: “Vamos fazer uma arte com equilíbrio”. 

As crianças decidem montar uma “Arte” com as formas.
Júlia coloca as primeiras peças e tenta encaixá-las. Caio sugere que ela “coloque as peças parecidas bem juntinhas prá ficar coladas umas nas outras”.

Na roda de apreciação, as crianças se expressavam:
- “Isso é um cavalo” (Júlio Cesar)
- “Parece um homem com um pé grande” (Arthur)
- “Parece um camelo; às vezes é outra coisa, uma cobra, ouriço, uma vaca, um boi e um pé de feijão” (Herick)
- “É um gigante” (Larissa)
- “Parece uma galinha com seus filhotes, bebendo água e cheirando rosas; os filhotes comendo migalhas de pão” (Caio)

Descrição dos resultados das ações.

Por meio da organização dos espaços, da introdução de novos materiais e do reconhecimento das crianças como protagonistas de suas ações, o ambiente escolar transformou-se em um espaço de aprendizagens significativas. Espaço esse onde as crianças foram ouvidas, não apenas naquilo que verbalizavam, mas em suas ações, em suas ideias, em suas criações e tiveram a oportunidade de criar, experimentar, pesquisar, investigar, imaginar.

Muitos outros projetos foram desenvolvidos ao longo do ano, projetos que nasceram das crianças, como a “Arte em papelão” e a escultura feita por Júlio Cesar que, ao encontrar um cano de papelão na sala de artes, decidiu que iria fazer uma escultura com papel, tecidos e folhas secas.

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